EUA surpreendem: Apoio a vice de Maduro muda jogo em 2026
Trump rompe com oposição na Venezuela, apoiando candidata de Maduro em eleições contestadas

Trump e a escolha de Delcy Rodríguez na Venezuela: uma transição sob disputa
No contexto de 2026, a atitude do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em apoiar Delcy Rodríguez, vice-presidente interina do regime de Nicolás Maduro, em vez de María Corina Machado, líder da oposição venezuelana, desencadeou reações contraditórias e questionamentos sobre o rumo da transição na nação andina. Após a prisão de Maduro em 3 de janeiro, Trump afirmou que os EUA assumiriam a administração temporária do país, mas omitiu referências a eleições ou à participação da oposição. A decisão destacou a aliança estratégica com figuras próximas ao chavismo e ampliou tensões entre os interesses norte-americanos e a resistência democrática local.
Corina Machado, Prêmio Nobel da Paz em outubro de 2024, reagiu à escolha de Trump com descontentamento, lembrando que seu movimento reúne 85% das provas eleitorais da vitória de Edmundo González nas urnas de julho de 2024. “Ela (Rodríguez) é a principal operadora da corrupção e da repressão”, afirmou em entrevista à Fox News, destacando o histórico de torturas e o papel central da ex-vice-presidente nas relações com potências como Rússia, China e Irã. Apesar da crítica, Machado elogiou as “ações corajosas” de Trump e manteve-se firme na promessa de “transformar a Venezuela em um centro energético para as Américas”.
A escolha de Rodríguez, leal a Maduro e com amplo apoio do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), reflete uma política de realpolitik dos EUA, focada em garantir estabilidade e acesso ao petróleo venezuelano. Com reservas de 303 bilhões de barris de óleo, a Venezuela torna-se um alvo estratégico para os interesses norte-americanos, que já sinalizaram a intenção de investir bilhões em infraestrutura petrolífera. “Não é sobre idealismo, mas sobre controlar a transição para evitar caos e migratórios”, explicou Santiago, analista venezuelano, referindo-se ao cálculo de Washington.
Enquanto a oposição, liderada por Machado e González, permanece no exílio ou em prisão política, a nova Assembleia Nacional, dominada pelo chavismo, busca consolidar poder. Edmundo González, eleito democraticamente, reiterou a necessidade de “libertar todos os presos políticos” e quebrar o ciclo de violência. Para Carmen Beatriz Fernández, especialista em relações internacionais, a liderança de Corina Machado permanece intocável: “Ela é a figura mais legítima da oposição, mesmo que Trump prefira caminhos pragmáticos. Sua aprovação supera até a de figuras históricas como Hugo Chávez”. A transição, porém, segue incerta, entre a pressão internacional e a resistência interna.



