Choque entre Moon, Undertale e Stray Children: Você não vai acreditar!
A reviravolta nas inspirações de Stray Children e Undertale está chegando em 2026 (PC/PS5/Xbox)

Stray Children: Por que o criador de Moon está inspirado por Undertale
No outono de 2025, participei do Tokyo Game Show, uma viagem que incluiu encontros com desenvolvedores locais. Em meu último dia, antes de embarcar para o aeroporto, cheguei ao escritório da Onion Games, cuja identidade era um homem vestindo um traje de aspargos. Lá, conheci Yoshiro Kimura, veterano da indústria de jogos, criador de Moon e agora responsável por Stray Children, um RPG que subverte tanto as tradições dos jogos da década de 1990 quanto a própria fórmula que fez sucesso com Moon.
De Moon a Stray Children: A herança de um jogo atípico
Moon, lançado em 1997 para PlayStation 1, era um RPG esotérico e absurdo: o jogador seguia um herói que matava inocentes criaturas para corrigir um mundo caótico. Sua estrutura — com uma trilha sonora de bandas underground japonesas e um cronômetro estilo The Legend of Zelda: Majora’s Mask — o tornou um título incompreensível para muitos, mas influente para poucos. Toby Fox, criador de Undertale, citou Moon como inspiração, e a amizade entre os dois desenvolvedores parece ter dado origem a Stray Children.
No novo jogo, um menino é sugado para um mundo virtual dividido entre um reino infantil e um submundo habitado por adultos. Os combates, porém, não seguem a lógica tradicional: o jogador pode escolher entre matar ou conversar com as criaturas, reforçando a ideia de que o jogo não se preocupa em definir o que é certo ou errado. Kimura explica: ‘Queremos que o player descubra suas próprias respostas, que viva a experiência sem que o jogo lhe diga como agir‘.
Um desenvolvimento pessoal e experimental
Kimura, que trabalha com a mesma equipe há mais de 10 anos, revelou que Stray Children é uma obra pessoal. ‘É um produto, sim, mas também parte da minha arte. Não tento manipular os sentimentos dos jogadores. Às vezes, o que é engraçado para alguns pode ser perturbador para outros — e isso faz parte da experiência.’
Além das mecânicas atípicas, o jogo inclui gravações de fãs internacionais que enviaram vozes em seus idiomas nativos, misturadas em efeitos sonoros. Kimura, que já trabalhou com Square e Marvelous Entertainment, também manteve os mesmos compositores de Moon, mas optou por não repetir a tradição de incluir discos com artistas underground.
Desafios de marketing e lançamento
Apesar do sucesso de Undertale, Kimura reconhece que vender Stray Children será um desafio. ‘Não quero que o jogo seja um produto comum. Quero que alcance apenas os jogadores que realmente vão se conectar com ele.’ Após o lançamento no Japão, a equipe está polindo o jogo para sua versão internacional, mas Kimura afirma que ‘não importa quantas pessoas comprem — o que me importa é que os que jogarem o amem de verdade.’
Kimura encerrou nossa conversa compartilhando uma metafilosofia pessoal: ‘Tenho tentado encontrar pequenas alegrias, como aquecer fatias de torta de maçã em casa. Se eu posso estender um momento simples, talvez isso me mantenha equilibrado.’ — uma metáfora involuntária para seu próprio processo criativo.
Stray Children está disponível desde 2025 para Nintendo Switch e PC, com versão em português do Brasil. Com uma equipe reduzida e um orçamento limitado, o jogo representa o ápice de décadas de experimentação de Kimura, que agora tenta encontrar um equilíbrio entre arte e mercado em um cenário onde jogos cada vez mais ambiciosos são lançados com orçamentos milionários.



