Trump x Brasil 2026: Ação na Venezuela muda jogo geopolítico

Trump amplia interferência na América Latina, colocando direita brasileira em risco de fragmentação até 2026

Washington, 5 de janeiro de 2026 — A ação militar dos Estados Unidos que levou à prisão de Nicolás Maduro, na Venezuela, marcou o início de um novo capítulo na estratégia de influência de Donald Trump na América Latina. O presidente norte-americano, eleito novamente em 2024, tem demonstrado intenções claras de ampliar o controle sobre o petróleo sul-americano e influenciar eleições regionais, segundo Erick Langer, professor de história na Universidade de Georgetown e especialista em relações internacionais.

Para Langer, a operação em Caracas não se limita a uma mudança de regime. “Trump busca criar uma colônia econômica na Venezuela”, afirmou, destacando o foco no petróleo como eixo central da nova ordem geopolítica proposta. Segundo o professor, a prisão de Maduro foi facilitada por uma traição interna dentro do chavismo, com Delcy Rodríguez e Diosdado Cabello negociando a continuidade do regime sob supervisão estadunidense. “O povo venezuelano continuará sofrendo, mas os chavistas adaptarão seu nome para alinhar-se aos interesses americanos”, analisou.

O cenário tem gerado inquietação também no Brasil, onde as eleições presidenciais de 2026 se aproximam. “Trump tentará influenciar o pleito brasileiro, mas sua atuação pode prejudicar partidos da direita”, alertou Langer. O Brasil, segundo o especialista, é “o grande contrapeso” na região diante da nova postura neocolonialista de Washington. “O nacionalismo brasileiro será um obstáculo para os planos de Trump”, ressaltou, lembrando o papel histórico do país como articulador de políticas sul-sul.

A preocupação abrange também Cuba e o México. “Washington intensificará a pressão contra o México para que ele cesse o envio de petróleo a Havana”, explicou Langer, prevendo um aprofundamento do isolamento econômico cubano. Quanto à China, o professor observou que a nova realidade venezuelana testará a capacidade de Pequim em manter seus investimentos na América Latina sem confrontar diretamente os interesses norte-americanos. “A Venezuela será o primeiro laboratório deste novo desenho geopolítico”, concluiu.

A relação entre os Estados Unidos e a Venezuela ainda envolve desafios legais. Em 2024, a prisão de Maduro foi questionada internacionalmente após o pagamento de R$ 268,5 milhões (US$ 50 milhões) como recompensa por informações sobre seu paradeiro. Para Langer, a falta de um plano para restaurar a democracia na Venezuela reforça o ceticismo sobre os verdadeiros objetivos de Trump na região. “A Venezuela não pertence aos Estados Unidos, e o povo é dono de seus recursos”, afirmou, defendendo o papel da comunidade internacional em garantir a soberania dos países sul-americanos.

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