Mudou tudo: EUA e Delcy Rodríguez definem futuro da Venezuela em 2026
Delcy Rodríguez assume presidência interina após detenção de Maduro, movimento que testa alianças do BRICS e reações da ONU em 2026.

Quem é Delcy Rodríguez, a poderosa sucessora de Maduro com trânsito nos EUA, na China e entre empresários
A detenção de Nicolás Maduro pelas forças militares dos Estados Unidos no último sábado (03/01) transformou Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela, no epicentro da crise geopolítica que sacode a América do Sul. Esta segunda-feira (05/01), ela assumiu oficialmente o cargo de presidente interina, com o apoio do exército venezuelano e do filho de Maduro, Nicolás Maduro Guerra. A Suprema Corte da Venezuela já havia determinado sua substituição, classificando a ausência do líder chavista como “forçada” após a operação norte-americana. Rodríguez, cujo histórico inclui sanções da União Europeia e dos EUA, agora enfrenta a tarefa de equilibrar a defesa do socialismo bolivariano com as pressões de Washington e aliados estratégicos como a China.
Contexto geopolítico e reações diplomáticas
O cenário internacional reage a uma Venezuela fragilizada economicamente e politicamente. A ação dos EUA, classificada por Rodríguez como um “sequestro ilegal e ilegítimo”, intensificou debates sobre soberania e direitos humanos. O presidente brasileiro, segundo fontes do Planalto, avalia que a nova líder venezuelana pode ser uma “interlocutora estratégica”, mas alerta que sua permanência depende de concessões em setores como energia. O presidente Donald Trump, por sua vez, afirmou que Rodríguez “não tem alternativa” e que “pagará um preço alto” se não atender aos interesses americanos. Já a China, que mantém relações comerciais com a Venezuela, observa a situação com cautela, buscando garantir seus investimentos em petróleo.
Perfil de Delcy Rodríguez e o legado familiar
Nascida em 1967, Delcy Rodríguez tem uma trajetória marcada por lutas políticas e uma conexão íntima com a revolução bolivariana. Filha de Jorge Antonio Rodríguez, guerrilheiro morto sob custódia policial na década de 1970, ela formou-se em Direito e tornou-se uma das figuras mais operacionais do chavismo. Ao lado de seu irmão Jorge, presidente da Assembleia Nacional, construiu uma rede de influência que a tornou “a tigresa” de Maduro, como a definiu o ex-presidente. Sua habilidade em gestões complexas, como a indústria petroleira estatal, é contrastada com uma postura ideológica rígida, que a leva a rejeitar sanções e críticas externas.
No cenário internacional, Rodríguez tem histórico de negociações delicadas. Em 2020, protagonizou o “Delcygate”, ao desafiar a União Europeia ao visitar Madri, apesar de sanções por violações de direitos humanos. Seus contatos com empresários e governos, incluindo os EUA durante o governo Biden, alimentam especulações sobre uma possível transição pactuada. No entanto, sua defesa intransigente de Maduro — “Na Venezuela, só há um presidente, que se chama Nicolás Maduro Moros” — sugere que qualquer aliança com Washington exigirá contorcionismos ideológicos. A crise coloca em xeque não apenas a estabilidade da Venezuela, mas também as relações entre potências globais no contexto de 2026.



